sexta-feira, 19 de junho de 2009

Solstício de Inverno



O casal caminhava por trilhas nunca descobertas nem por eles próprios, porém não tinham medo e de mãos dadas não conseguiam parar, não até chegarem ao seu destino: o altar...
As pedras que pisavam que, no início da jornada eram de cristal, agora se tornavam escuras embora ainda cristalizadas. Cristalizadas como os olhos de Sofia.
Ela segurava firme na mão de seu companheiro eterno.O casal ainda não sabia, mas por meio de densa bruma era levado para reviver realizando algo que em tempos passados sempre foi impedido de ser concretizado cada vez que era tentado.
E estavam ali, mais uma vez, percorrendo o mesmo caminho para o mesmo fim...
Sentiam-se atraídos por uma força. Vermelha como a lua que a tudo observava, cada passo dos dois por eras e eras.
E esta força não era, nem nunca foi externa. Ela emanava, pois sempre esteve presente nos dois amantes. Sempre.
Esta era a força da união sanguínea, do abraço diablerítico. E era a mesma força que um dia criou cada um dos dois e neste momento estava pronta para tentar uni-os em um único ser, mais uma vez.
Zathor conhecia e guiava Sofia pelo vale oculto, embora nunca estivesse ali, não nesta existência.
E por falar nisso, não posso definir se há vidas passadas, carmas, ou qualquer outra definição para o que acontece quando reconhecemos em outros algo que já vivemos, ou pensamos ter vivido...
Dejavour... A sensação é sempre mais forte que qualquer explicação racional. Simplesmente é.
Pode ser tudo isso acima citado, e na verdade a definição que mais me agrada é a que estejamos em dimensões ou salas e que não exista o tempo passado nem futuro e sim fatos que ocorrem simultaneamente e com as mesmas pessoas, explicando assim o motivo do reconhecimento e desejo de estar em certos lugares e com aquelas pessoas tendo a sensação de estar-se repetindo um ato e tornando-o novo ou renovado.
Na realidade era exatamente assim que Sofia e Zathor se sentiam. Estavam felizes, confiantes, realizados porque por mais estranho e louco aquilo tudo pudesse parecer para ambos era a atitude mais correta a ser tomada para que nunca mais fossem afastados e finalmente reinassem juntos no castelo de cristal da vida eterna.
Só juntos suportariam a eternidade. Presente de grego.
E somente juntos fartariam-se minando de uma só vez a sede um do outro a sede do Amor.


Nenhum comentário:

Postar um comentário